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DOUTORADO: A diversidade dos vínculos sociais de parentesco na cultura contemporânea e seu efeito sobre a subjetividade.

Pesquisa de doutorado: (2015-2019)

A diversidade dos vínculos sociais de parentesco na cultura contemporânea e seu efeito sobre a subjetividade.

 

Doutoranda: Virgínia Lucia Souto Maior Sanabio
Orientadora: Profa. Dra. Marcia Rosa

Com este tema pretendo investigar os novos laços estabelecidos no âmbito da família, não oriundos dos laços de sangue, ou seja, as novas configurações familiares, onde o parentesco não é estabelecido pelo casamento com linhagem patrilinear.

Aconteceram algumas mudanças no âmbito jurídico a partir de 1970. A expressão “chefe de família” foi substituída pelo significante “parental”. Marcou-se aí uma passagem da autoridade paterna para a autoridade parental e a família tornou-se coparental. A partir daí, surgiram as reivindicações das famílias homoparentais, que pressionaram a justiça a reconhecer seus laços familiares.

Com a designação ‘família coparental’ entende-se que a responsabilidade do desenvolvimento da criança é dividida igualmente entre dois ou mais adultos. Está em jogo, cada vez mais, a vontade individual de ocupar este lugar. Quem irá assumir a função paterna e a função materna?

Uma família que não se sustenta na diferença dos sexos (homem/mulher) e na diferença das funções (pai/mãe) estaria em desordem, como indagam alguns teóricos da psicanálise mais tradicionalistas? Outros, no entanto, reafirmam o exercício dessas funções como simbólico e indagam os efeitos do real em jogo nessas mutações familiares. Como a igualdade das funções (pai/mãe) produz efeito sobre a criança? Quais seriam eles?

À guisa de autores que interessam acompanhar, a psicanalista Marie-Hélène Brousse se serve do neologismo ‘parentalidade’ como substituto de paternidade e maternidade, serve para responder quem é o pai?

Já a filósofa norte-americana Judith Butler propõe que o parentesco não seja reduzido à família e que o campo da sexualidade não seja medido em relação ao casamento. Ela indaga se “o parentesco é sempre tido como heterossexual”?

Tenho o objetivo de tratar dessas questões para além do discurso, implicando a fantasia, visto que a fantasia não está em continuidade com o discurso, implica uma posição de gozo do sujeito, uma resposta do real, como diz Lacan, às determinações discursivas.

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