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DOUTORADO: Os novos registros de família

Pesquisa de doutorado: (2015-2019)

Os Novos Registros de Família


Doutoranda: Ana Terra Rosa Ferrari
Orientadora: Profa. Dra. Márcia Rosa

Nossa pesquisa de doutorado tem como ponto de partida o estouro dos marcos da família tradicional e, consequentemente, as mutações produzidas na estrutura da família contemporânea.

Essa nova família não é legitimada pelos laços matrimoniais e consanguíneos, mas pela parceria e pelo afeto. Seu alicerce simbólico não está fundado sobre a diferença entre os sexos e o pacto edipiano, firmado pela lei do pai, cede lugar ao pacto democrático, firmado pelo direito de acesso ao gozo, garantido igualmente à todos os membros da família.

Tantas mudanças produzem inúmeros efeitos no campo social, jurídico e,  principalmente, subjetivo, já que a família – lugar da herança, matriz do simbólico e da transmissão das identificações – ao lado do Estado e da propriedade, constituem as principais instituições da nossa civilização.

Portanto, é necessário, num primeiro momento, afinar o diálogo entre a Psicanálise, o Direito, a Sociologia e a Antropologia, a fim de compreender o que é, de fato, a família e quais as causas dessa constante reestruturação.

Colhidos os frutos desse encontro, nossa investigação segue com a Psicanálise, primeiro em Freud e os três mitos-versões do pai – o assassinato do Pai totêmico e a fundação da civilização; o pai do complexo de Édipo e o mito de Moisés e depois em Lacan com os Complexos Familiares; a metáfora e a função paterna e a pluralização dos nomes-do-pai. Interessa-nos verificar como as novas estruturas familiares se articulam em relação aos três registros – o real da reprodução, filiação e dos modos de gozo; o simbólico dos nomes-do-pai e da parentalidade e o imaginário da novela familiar e da transmissão do segredo e quais os efeitos experimentados pelo sujeito, tanto no corpo quanto nas formas de amarração.

Nesta lógica plural, nos deparamos no campo do Direito com novos fenômenos, que tem instigado a literatura, os tribunais e promovido novas políticas de intervenção no espaço das famílias. Na órbita desses novos fenômenos optamos por realizar um recorte metodológico de dois institutos. O primeiro é a multiparentalidade, enquanto possibilidade de se ter dois pais e duas mães assentados no registro civil da criança, nos casos de inseminação artificial por doador de sêmem, óvulo ou útero. O outro diz respeito aos casos de crianças registradas sem o nome do pai, cujo elevado índice despertou a atenção do Conselho Nacional de Justiça, que criou o Programa Pai Presente no âmbito do judiciário nacional, que por sua vez, deu origem ao Centro de Reconhecimento da Paternidade (CRP), situado na capital mineira. Lembrando que os casos trabalhados na pesquisa serão extraídos dos atendimentos e audiências por nós acompanhadas no CRP, que abriga o Projeto de Extensão Universitária “Registros de Família”.

Quanto ao registro civil, aparece, inicialmente, como um recurso legal de regulação e inscrição da família, ordenando quem é descendente de quem, indicando, um modo de delimitação. Admitimos inteiramente tais funções do registro civil, contudo, parece-nos que na contemporaneidade, sobretudo no cenário das novas estruturas familiares, que o registro tem uma função para além do recurso jurídico, revelando importante significação no campo subjetivo. Seguindo a trilha proposta, buscaremos, então, articular os três registros da família – real, simbólico e imaginário à função do registro civil.

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DOUTORADO: A diversidade dos vínculos sociais de parentesco na cultura contemporânea e seu efeito sobre a subjetividade.

Pesquisa de doutorado: (2015-2019)

A diversidade dos vínculos sociais de parentesco na cultura contemporânea e seu efeito sobre a subjetividade.

 

Doutoranda: Virgínia Lucia Souto Maior Sanabio
Orientadora: Profa. Dra. Marcia Rosa

Com este tema pretendo investigar os novos laços estabelecidos no âmbito da família, não oriundos dos laços de sangue, ou seja, as novas configurações familiares, onde o parentesco não é estabelecido pelo casamento com linhagem patrilinear.

Aconteceram algumas mudanças no âmbito jurídico a partir de 1970. A expressão “chefe de família” foi substituída pelo significante “parental”. Marcou-se aí uma passagem da autoridade paterna para a autoridade parental e a família tornou-se coparental. A partir daí, surgiram as reivindicações das famílias homoparentais, que pressionaram a justiça a reconhecer seus laços familiares.

Com a designação ‘família coparental’ entende-se que a responsabilidade do desenvolvimento da criança é dividida igualmente entre dois ou mais adultos. Está em jogo, cada vez mais, a vontade individual de ocupar este lugar. Quem irá assumir a função paterna e a função materna?

Uma família que não se sustenta na diferença dos sexos (homem/mulher) e na diferença das funções (pai/mãe) estaria em desordem, como indagam alguns teóricos da psicanálise mais tradicionalistas? Outros, no entanto, reafirmam o exercício dessas funções como simbólico e indagam os efeitos do real em jogo nessas mutações familiares. Como a igualdade das funções (pai/mãe) produz efeito sobre a criança? Quais seriam eles?

À guisa de autores que interessam acompanhar, a psicanalista Marie-Hélène Brousse se serve do neologismo ‘parentalidade’ como substituto de paternidade e maternidade, serve para responder quem é o pai?

Já a filósofa norte-americana Judith Butler propõe que o parentesco não seja reduzido à família e que o campo da sexualidade não seja medido em relação ao casamento. Ela indaga se “o parentesco é sempre tido como heterossexual”?

Tenho o objetivo de tratar dessas questões para além do discurso, implicando a fantasia, visto que a fantasia não está em continuidade com o discurso, implica uma posição de gozo do sujeito, uma resposta do real, como diz Lacan, às determinações discursivas.