Psicologia Jurídica

As múltiplas recomposições familiares presentes no nosso contemporâneo, diversificam o sistema de parentesco e os laços de aliança e apresentam questões novas e complexas para as Varas de Família dos Tribunais de Justiça. Tendo isso em vista, debruçar-nos-emos sobre a casuística trazida por profissionais do Setor de Psicologia do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, responsáveis por acompanhar os processos trazidos às Varas de Família, buscando construir um panorama da atual família mineira, já não mais fundada e mantida solidamente sobre a tradição.

Para a discussão e análise do material colhido nessa parceria, vamos nos servir de um referencial teórico transdisciplinar (uma vez que estão em jogo aí o Direito, a Psicologia, a Sociologia, a Antropologia, etc.) bem como das teorias psicanalíticas de Freud e Lacan.

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Psicanálise

Tendo em vista a possibilidade de acompanharmos situações diversas pertinentes ao campo de trabalho do Labtransufmg, buscaremos verificar em que medida os três registros trazidos pelo psicanalista Jacques Lacan, Real, Simbólico e Imaginário, são operadores de leitura das transformações familiares em curso, seja o imaginário da novela familiar, o simbólico dos nomes do pai e o real dos modos de gozo. Ou, em outros termos: reprodução (real), filiação (simbólica) e transmissão (imaginária) seriam também modos de registrar?

Além disso, indagamos em que medida a noção lacaniana de sinthoma, ou seja, aquela de modos de invenção singulares como formas de amarração das novas alianças, constitui-se em um operador de leitura da família e dos novos laços familiares e em que isso difere de um recurso ao Édipo e a metáfora paterna como estruturantes da família.

Aqui, iremos acompanhar as discussões contemporâneas da Psicanálise lacaniana sobre a família, a parentalidade e as parcerias sintomáticas.

 

Literatura

Se é verdade que os escritores chegam antes dos psicanalistas, como disse Sigmund Freud, ou que existem coisas que a literatura acolhe melhor do que a filosofia, como propôs Jacques Derrida, interessa-nos verificar de que modo a literatura clássica e contemporânea abre passagem para a leitura  das (novas) estruturas elementares do parentesco, das (novas) parcerias sintomáticas

Parceria:
Maria Ester Maciel de Oliveira Borges (Escritora. Professora na Pós-graduação em Estudos Literários da UFMG. Pesquisas e publicações sobre as poéticas do inventário e os exercícios de animalidade na literatura contemporânea, entre outros)